Reforço no policiamento ostensivo, mais rigor na legislação penal e um sistema eficaz de integração entre as forças de segurança foram algumas das sugestões apresentadas por moradores do bairro Mangabeiras, na Zona de Sul de Belo Horizonte, para reduzir a criminalidade na região. As propostas foram feitas em audiência pública da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com o objetivo de debater a violência decorrente de eventos irregulares realizados na Praça do Papa, situada no bairro.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do bairro Mangabeiras, Alberto D'Ávila, carros de som, traficantes de drogas e veículos em alta velocidade têm incomodado os moradores e gerado diversos casos de violência no local. “A gota d'água foi a morte de dois jovens vítimas destes eventos irregulares”, completou.

O presidente das Associações de Moradores da Zona Sul, Marcelo Marinho, lamentou que as pessoas não têm tido o direito básico ao descanso. “Os grandes eventos em locais inadequados estimulam as más práticas entre os jovens. O barulho feito por estas pessoas ultrapassa os limites recomendados para os ouvidos humanos e para os animais que vivem nos parques vizinhos”, salientou.

O defensor público Camilo Angelus afirmou que o que se vê é uma volta à barbárie. Para ele, a solução em curto prazo é o policiamento ostensivo e uma atuação mais efetiva do serviço de inteligência da Polícia Civil. Em médio prazo, entende que o caminho passa uma legislação mais eficiente. Em longo prazo, o defensor acredita que o Estado deva investir mais na educação e formação das pessoas.

O deputado João Leite (PSDB) também lamentou os relatos apresentados pelos moradores, lembrou que a praça é um importante ponto turístico e afirmou que “estamos destruindo a nossa civilização e que é impossível conviver com esta situação”. Pediu, também, uma maior atuação da Comovec - Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais - na regulação de eventos na região do bairro Mangabeiras.

João Leite também apresentou um projeto de lei que tem como objetivo preservar a ordem pública da região através da proibição de ruídos sonoros de alto nível provindos dos carros. 

A necessidade do projeto justifica-se pelas queixas da população local e pelos malefícios causados pela perturbação. O excesso de ruídos causa danos ao sistema auditivo além de provocar alterações como insônia, depressão, estresse, perda de atenção e dores de cabeça. Além da poluição sonora, os moradores ainda sofrem com  abagunça deixada pelos arruaceiros e pela insegurança gerada pelo abuso no consumo de bebidas alcoólicas e entorpecentes, o que torna necessário a preservação do sossego público pelo legislativo.