A Organização das Nações Unidas estima que, por ano, aproximadamente R$200 bilhões são desviados no Brasil, enquanto isso a estimativa de devolução de recursos da Operação Lava Jato, considerando apenas a Petrobras, que é considerado um feito histórico, deve chegar a R$ 1 bilhão. 

A desproporção desses valores é a causa da condenação à morte e à miséria de milhões de brasileiros pois seria possível multiplicar por três os investimentos federais em educação ou saúde em todo país, ou ainda resgatar da miséria os 10 milhões de brasileiros que não conseguem comprar os alimentos necessários para sobreviver, segundo estimativa do Ministério Público Federal.

As consequências dessa corrupção endêmica a um partido político é que ela está contaminando o poder público de estados e municípios, e ao se alastrar pelo país colhemos seus amargos frutos do empobrecimento financeiro e moral do país. Em alta encontramos o desemprego, a inflação de 2 dígitos, os juros, os preços dos alimentos e as tarifas públicas, e em declínio temos os direitos trabalhistas e previdenciários, orçamento para educação e saúde. A instabilidade social é um fato.

A Constituição Brasileira de 1988, conhecida por Constituição Cidadã, estabelece em seu artigo 37, os princípios para a gestão pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Sem medo de errar nenhum desses valores caros para a sociedade democrática brasileira tem sido cumprido na última década pelo governo federal.

O “modus operandi” dos investigados pela Polícia Federal é o mesmo adotado nos órgãos em que ela tem sido detectada: Petrobras, Ministério do Planejamento e Eletronuclear. Empresas de prestação de serviços ou produtos recebem recursos públicos, não cumprem o que foi supostamente contratado e dividem o dinheiro amealhado com os favorecidos pelo esquema criminoso.

No caso do BNDES, por meio de uma decisão administrativa de considerar como confidenciais, os financiamentos feitos com dinheiro público, recursos dos brasileiros foram enviados para Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia, Angola, Moçambique, Argentina, Uruguai, Peru e Panamá, num valor que ultrapassou R$414 bilhões.

As obras financiadas pelo BNDES nesses países, todas elas poderiam ter sido implantadas no Brasil, pois se trataram de melhoria de infraestrutura que é uma das principais carências nacionais, motivo do atraso no desenvolvimento brasileiro. Por exemplo, o dinheiro do porto de Mariel, em Cuba, poderia ter sido investido nos portos de Santos e Camaçari. E os investimentos feitos na implantação de duas linhas de metrô, em Caracas, poderiam e deveriam ter sido investidos em Belo Horizonte, pois, desde 2002, o nosso trem metropolitano aguarda pelo cumprimento das sucessivas promessas de campanha e anúncios de liberação orçamentária.

Não nos conforta o pensamento comum de que a corrupção existe no país desde Cabral. É possível extirpá-la. Tivemos uma experiência exitosa nos governo de Minas Gerais de 2003 a 2014 em que todos os setores públicos dispunham de um auditor-fiscal que se reportava ao auditor geral e não ao gestor responsável pelo órgão no qual ele estava lotado. Este profissional se reunia quinzenalmente com esses gestores para analisar suas administrações traçando metas e corrigindo falhas, com total autonomia. Outro instrumento importantíssimo foi o portal transparência, ainda no ar, onde todas as despesas públicas são lançadas.

Se o Brasil é hoje considerado um dos países mais corruptos do mundo é porque carece de cumprir sua constituição e auditar sua gestão. E não esperar que a porta seja arrombada para correr atrás.