Audiência pública da Comissão de Segurança Pública (CSP) apurou intimidação e arbitrariedade praticada contra jornalistas da TV Candidés, de Divinópolis, que foram ameaçados e mantidos em cárcere privado por assessores da Secretaria de Estado de Educação, após entrevista realizada com a secretária Macaé Evaristo, na Escola Estadual Monsenhor Domingos, no dia 11 de março deste ano.

O deputado João Leite relatou que, na referida data, a repórter Nayara Lopes foi abordada por assessores da Secretaria, que a questionaram sobre a pauta da entrevista com Macaé Evaristo. Apesar de a reportagem ter sido autorizada e feita, as mesmas pessoas teriam solicitado que as imagens fossem apagadas, sob a alegação de má-fé da jornalista.

O cinegrafista da TV Candidés, Yan D'Masoyyteria, foi pego pelo pescoço por suposto policial, que não se identificou formalmente como militar. A equipe ficou detida por mais de uma hora, até que o diretor da emissora, Flaviano Cunha, chegasse ao local.

“Vários crimes foram cometidos, como cárcere privado e atentado à liberdade de expressão. Esta ação atinge em cheio os direitos básicos da democracia. Lamentável!”, completou o deputado João Leite.

A Secretaria de Educação, por meio de nota oficial, lamentou o ocorrido e considerou que ocorreu um mal-entendido.

O diretor da escola, Kleuver Luiz Alves Mota, disse não saber qual foi o desentendimento entre os jornalistas e os assessores da Secretaria de Educação e afirmou que por questão de segurança, o portão da escola fica fechado, e em nenhum momento teve o intuito de aprisionar quem quer que fosse. O diretor alegou ter dito apenas que gostaria de conversar com a equipe da TV.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Arnóbio Lopes Santos, disse que, ao receber a denúncia, fez uma análise dos fatos e considerou a exigência de que as imagens fossem apagadas como um ato grave. A partir disso, publicou uma nota de repúdio e exigiu a apuração do caso e a punição dos responsáveis.

 A CSP considerou as acusações graves e pediu à promotoria de Justiça de Divinópolis o esclarecimento dos fatos.