O deputado João Leite recebeu na Assembleia Legislativa, um grupo de mães do Movimento das Mães de Minas contra o Crack. Elas apresentaram ao deputado uma denúncia na qual o Governo de Minas está preparando o fechamento de 600 vagas da rede de comunidades terapêuticas que atendem dependentes químicos.

Inconformado com a notícia recebida, e preocupado com o eventual despejo dos filhos das senhoras que foram ao parlamento mineiro em busca de apoio e solução, o deputado foi ao plenário e tornou pública a incompreensível atitude do Governo.

O deputado explicou que boa parte dos 75 mil presos do Sistema Penitenciário iniciaram a vida no crime por não terem tido oportunidade de se tratarem da dependência química. Para o João Leite a desativação das vagas trará um agravamento da criminalidade, o comprometimento social de jovens em condições de trabalhar e o aumento do valor para custear tantas pessoas apenadas.

João Leite explicou que ao colocar na rua essas centenas de internos, as chances de serem cooptados para o tráfico de drogas é muito grande, a vida deles será profundamente abalada, e “se hoje é preciso gastar mensalmente R$900,00 para prevenção pior será ter que gastar R$3.000,00 para mantê-los em uma penitenciária sem chance de reabilitação”, afirmou o parlamentar.

O pronunciamento do deputado João Leite fez o Governo de Minas anunciar mais dois meses de parceria com o Credeq – Centro de Referência de Dependentes Químicos, e vai reavaliar as parcerias.

 

“Mães a obra”

Maria da Conceição (63), aposentada, convive com o fantasma das drogas desde quando seu filho, Nicolai de Assis, de 31 anos, era adolescente. Após passar por inúmeras tentativas frustradas de reabilitação, Nicolai foi encaminhado para o Credeq, de Ravena, distrito de Sabará (MG). “Fez muita diferença na recuperação dele”, afirma.

A aposentada, que diz não ter condições financeiras para custear um tratamento particular para o filho, destaca os benefícios do tratamento oferecido pelo centro de reabilitação. “Lá, eles têm acompanhamento psicológico, medicação, trabalham na horta e podem praticar esporte”. Para ela, o tratamento ambulatorial, apenas, não é efetivo. 

Após saber da possibilidade de perder a vaga do filho e, consequentemente, o tratamento e todo o  avanço alcançado, ela organizou a criação de um grupo de mães que estão na mesma situação para reivindicarem a permanência de todos os dependentes químicos nos centros de reabilitação.