João Leite - Deputado Federal (PSDB - MG)

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Começa etapa final do Fórum de Segurança nas Escolas

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Começa etapa final do Fórum de Segurança nas Escolas

     A etapa final do Fórum Técnico Segurança nas Escolas – por uma cultura de paz começou na terça-feira (4/10), no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Especialistas convidados traçaram um panorama da violência no ambiente escolar no Brasil. O evento acontece até a próxima quinta-feira (6) e vai reunir em um documento as sugestões apresentadas nas seis etapas regionais. Esse relatório vai subsidiar a elaboração de políticas públicas estaduais para combater a violência nas escolas.

     A socióloga e coordenadora da Área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no Rio de Janeiro, Míriam Abramovay, fez a palestra de abertura. Segundo ela, a democratização das escolas nos últimos 40 anos, que passou a receber estudantes de camadas sociais mais pobres, aliada à falta de mudança na formação dos professores, contribuiu para o crescimento de casos de violências cotidianas dentro do espaço escolar.

     A socióloga explicou que a violência não se resume àquela ligada à criminalidade, prevista no Código Penal. Ela listou situações freqüentes de violência no ambiente escolar, além da agressão física: ameaças, tráfico de drogas, homofobia, racismo, discriminação social e preconceito religioso, entre outras.

    Míriam afirmou que vivemos uma “cultura da violência”, alimentada pelo individualismo, pelo consumismo e pela competição exacerbada. Essa cultura, disse ela, pressupõe que somente a força resolve os conflitos do cotidiano e que, por isso, é um fenômeno inevitável e faz parte da vida. Ela citou uma pesquisa realizada entre professores de Brasília, segundo a qual 12,6% deles disseram que já tiveram seus veículos danificados no estacionamento da escola ou nos arredores.

 

 

 

        

Pedagogo lembra assassinato de professor

     O pedagogo e mestre em Psicologia Social pela UFMG, Luiz Carlos Castello Branco Rena, iniciou seu pronunciamento lembrando o professor de educação física Cássio Castro Gomes, da Faculdade Izabela Hendrix , assassinado brutalmente por um aluno no final do ano passado dentro da escola.

     Ao destacar que a violência não é um fato novo, nem por parte dos alunos, nem por parte dos professores, Rena lembrou que, muitas vezes, atos violentos praticados por crianças e adolescentes são uma resposta à agressão praticada pelo professor. Para ele, a escola se consolida cada vez mais como um palco da violência porque a sociedade a banalizou. “A gente se acostumou com a violência assim como se acostumou com o trânsito”, disse ele, que incluiu o que chamou de “política de pauperização das escolas” como um fator gerador da violência.

     Rena apresentou uma série de sugestões para o problema. Em primeiro lugar, falou da necessidade da mudança de cultura, ressaltando que essa não é tarefa para apenas uma geração. “Precisamos nos convencer sobre o cuidado com o outro, que cuidar do outro faz bem”, afirmou. Segundo ele, a sociedade também deve apostar na possibilidade de que os conflitos podem ser mediados.

     Para o professor, mecanismos de punição e exclusão são insuficientes para resolver o problema da violência. “O dia que professor precisar chamar polícia para resolver conflitos que aparecem na escola, está assinando seu atestado de incompetência”, ressaltou. Ele também sugeriu que as escolas façam acompanhamento individualizado de alunos que sinalizam que estão partindo para um caminho da violência, “antes que seja tarde demais”. Qualificar o professor para lidar com situações de violência, revisão do processo pedagógico e a realização do mesmo Fórum Técnico, porém somente com os jovens, ouvindo suas sugestões para combater a violência nas escolas, foram outras sugestões apresentadas pelo professor Luiz Carlos Rena.

Autoridades opinam

     O deputado João Leite (PSDB), presidente da Comissão de Segurança Pública da ALMG, informou que, nas seis etapas regionais realizadas no interior, houve a participação de mais de 2.200 pessoas. Ele lembrou que as propostas recebidas no interior servirão de subsídios para discussões nos grupos de trabalho.

     O promotor Joaquim José Miranda Júnior, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Criminais (CAO-Crim), lamentou que, apesar de todo o avanço científico, as relações humanas se degradam a cada dia. “Perdemos o respeito pelo próximo, e estamos chegando a um ponto em que não sabemos o que fazer. Ele mencionou que todos os dias muitos pais procuram a Promotoria de Justiça pedindo para entregar os próprios filhos ao Estado, para que eles não se envolvam mais com crimes e drogas.

     À tarde, o plenário recebeu os palestrantes Walter Ernesto Ude Marques (pisicólogo), Maria Sueli de Oliveira Pires (Coordenadora do Trabalho Intersetorial de Enfrentamento das Condições Geradores da Violência Escolar do Governo do Estado de Minas Gerais) e Roberta de Mesquita Ribeiro (Defensora Pública e Integrante do Fórum pela Paz Escolar – Forpaz).

     Walter Ernesto ressaltou em sua palestra que a escola não dará conta de combater a violência sozinha, que terá de haver melhoria dos outros órgãos públicos, e assim esses demais órgãos vão ajudar a diminuir a violência dentro as escolas. Quanto mais a escola procurar se proteger da violência, maior será os casos.

     

     Maria Sueli afirma que os programas que forem gerados para combater a violência deve gerar um dialogo entre os principais interessados, para saber quais os pontos precisam de melhorias. A palestrante Roberta Mesquita reslta o que Maria falou e explicou o funcionamento do Forpaz.