Educação
-
Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
Quem se responsabiliza?
Sou conhecido há mais de 30 anos como o goleiro de Deus. Esse é um “título” que recebi por viver o amor incondicional de Deus, que tem movido minha vida dentro e fora dos estádios.
A tentativa de enquadrar como criminosas pessoas que se posicionem contrárias ao comportamento homossexual, é inaceitável, representa um atentado à democracia brasileira, pois tira de nós, o legítimo direito à liberdade de expressão. Com censura não se constrói uma sociedade livre, justa, solidária.
Nosso desafio é fazer acontecer o que está no artigo 3º da Constituição: “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. E isso não pode ser alcançado se houver o cerceamento à participação popular, que, em geral, já é muito tímida em nosso país.
Portanto, ao sabermos que o Ministério da Educação elaborou um “kit contra a homofobia” para distribuir nas escolas públicas, ficamos preocupados. Tudo foi feito sem debater com as escolas, em especial com os pais dos estudantes. Colocamo-nos contra a forma impositiva com que resolveram levar essas informações para crianças de 7 a 10 anos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 53, parágrafo único, deixa muito claro como esse processo está sendo mal conduzido: “É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais”.
Nós estamos nos referindo à rede pública, e não às escolas com perfis definidos: religiosas, militares, técnicas etc., em que os pais têm a oportunidade de escolher previamente aquela que melhor se identifica com os valores e crenças familiares.
Se a questão tratada no kit fosse prioritária para a cidadania nacional, deveríamos então estar tratando simultaneamente das “fobias” contra crianças especiais, negras, indígenas, obesas e outras passíveis de discriminação.
Temos outro problema crucial nessa questão. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, afirma que o ministério teve dificuldades para decidir sobre manter ou tirar o beijo gay do filme que integra o kit. Segundo o secretário, eles ficaram três meses discutindo um beijo lésbico na boca, até onde entraria a língua. Acabaram cortando o beijo.
Se, para os idealizadores do kit, essa é uma questão delicada, com muitas variáveis, o que dirão os profissionais da educação, de todo o Brasil, ao receberem esse material? Se o ensino das disciplinas comuns enfrenta problemas de qualificação profissional, quem se responsabilizará pelo uso adequado desse material?
Na verdade, precisamos é de um projeto pedagógico que fortaleça a educação para a formação integral do ser humano, baseada na ética, respeito, cidadania e informação.